domingo, 17 de agosto de 2014

GENTE FELIZ

Gente Feliz



Introdução:


Jesus veio para que a gente tivesse vida abundante (Jo 10.10)


Ter vida abundante é ser salvo.


Vida abundante, é vida feliz.

Ser salvo é ser feliz!


Felicidade, como um conjunto de circunstâncias prévias para que alguém seja feliz, não existe na escritura. 


O que existe é gente feliz.


Ser feliz é pessoal.


Gente feliz, entretanto, afeta o ambiente para que este seja ambiente de felicidade (Mt 5.13-16).


Felicidade, portanto, não é algo que se encontra, mas que se produz, como ambiente, para o bem de todos. 

Ainda que o ambiente não seja suficiente para fazer alguém feliz, é papel de todo o que é feliz, reproduzir, no ambiente que afeta, as condições que demonstrem a possibilidade de cada ser humano ser feliz (Mt 5.16).


Toda a escritura é para revelar ao Cristo como o portador da vida abundante.


A escritura, que revela o Cristo, descreve o que é ser gente feliz.


O que é verdade para toda a escritura, faremos nos salmos: descobrir, em cada salmo, o que significa viver vida abundante, o que significa ser gente feliz.


E o que significa produzir ambiente de felicidade.


A chave para viver essa vida é sempre o Cristo. Porque todo aquele que invocar ao Cristo será salvo (Joel 2.32). 

Ser salvo é ser feliz e produzir ambiente de felicidade!


*


Salmos Capítulo : 1

1 Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores;
2 antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita dia e noite.
3 Pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará.
4 Não são assim os ímpios, mas são semelhantes à moinha que o vento espalha.
5 Pelo que os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos;
6 porque o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios conduz à ruína.


Glossário:


Ímpios: perversos – gente para quem, não só os fins justificam os meios, como, principalmente, os seus fins justificam os meios, quaisquer meios.
Pecadores: - gente que relativiza o amor a Deus e ao próximo como princípio para qualquer ação.
Escarnecedores – gente que não trata a vida como sagrada



A Protagonista:


Essa pessoa sabe, de um lado, com quem não deve andar e, de outro lado, com quem deve andar.


Sabe, também, que prazer é uma construção (fruto de meditação) a partir da lei de Deus, que é o amor, e não um lugar que se visita viciada e viciosamente.


Está plantada na comunidade dos justos (os que a Trindade, pela ação da graça, tornada possível pelo esvaziamento do Deus Filho, declarou justos, por terem sido justificados no esvaziamento manifesto na cruz do calvário), onde a água, que é a Palavra, flui como um ribeiro perene.


Sabe a diferença entre o caminho do justo e o caminho do perverso.




Como a Vida Abundante é traduzida nela:



Feliz é quem se recusa a ouvir os conselhos dos perversos: essa gente que sonega o direito; persegue o inocente; e, para quem, os seus fins justificam os meios.


Feliz é quem, ao contrário dos pecadores, torna absoluto o amar a Deus, acima de tudo, e o amar ao próximo, como a gente gosta de ser amado, como guia para toda a ação.


Feliz é quem sabe que toda a vida é sagrada, e a preserva.


Feliz é quem vive e anda com os justificados: promovendo o direito e preservando toda a vida.


Feliz é o que está plantado na comunidade dos declarados justos: onde esse amor é o modo de viver, e a vida, então, flui como um rio, que o faz crescer como uma árvore sempre verdejante.


Feliz é o que dá tempo ao tempo, e, no tempo certo, faz o que tem de fazer.


Feliz é o que sabe que o prazer não é um lugar, mas uma construção.


Feliz é o que medita em como ser gente como gente deve ser: que medita em como viver a partir do amar a Deus acima de tudo, e do amar ao próximo como a gente gosta de ser amado.


Feliz é quem anda nesse caminho onde a maldade não tem lugar: porque esse é o caminho de Deus! 


Considerações:

Todo o sistema "politicoeconômicofinanceirosóciocultural" está contaminado pela perversidade, se recusar a pensar a partir de sua lógica é o primeiro passo para a transformação pessoal e social.
Qualquer relativização do amor, como um débito pessoal para com Deus e para com o próximo, reifica (torna objeto) o planeta e os seus habitantes, porque dessacraliza a vida.
Na vida a gente anda em grupos, é uma escolha e uma manutenção diárias, isso influencia, quando não determina, o andar de cada um. Há várias formas de identificar um grupo como seu (família, etnia, religião, preferências, social, econômica, cultural, empatia, geográfica, política, nacionalidade, ideologia), a mais crucial é a ideológica.
A protagonista do Salmo 1, uma vez que Deus nunca está em discussão nas Escrituras, de início é apresentada como alguém que fez uma escolha ideológica, que determinou os grupos de quem se manteria afastada, assim como o grupo a quem se manteria unido: os justos.
Gente feliz vive por prazer e de prazer, mesmo diante das piores condições; prazer, porém, é sensação que se vive no crescimento pessoal, que é crescer em amar a Deus e ao próximo. 
Qualquer prazer que não venha desse e nesse crescimento é espúrio.
É só no binômio amor a Deus, acima de tudo, e ao próximo como a si mesmo, que o amor não corre o risco de descartar a justiça, fruto da consciência do direito de todos.
Quando a gente está nesse processo de crescimento pessoal, a ansiedade dá lugar à esperança que expecta com alegria; e a angústia da lugar à fé que sabe de Deus.


FONTE:

 Calvino, João; O Livro dos Salmos, Edições Paracletos, 1999 pg 105
 Kidner ,Derek; Salmos 1-72, Série Clutura Cristã, Ed Mundo Crsitão e Edições Vida Nova, 3ª Edição, 1987, pg73i
 Calvino, João; O Livro dos Salmos, Edições Paracletos, 1999 pg 105 Só Calvino sugere que seja fuga da perseguição de Saul, concordei, porque Davi se apresenta como homem piedoso, o que seria inapropriado no caso de fuga da perseguição de Absalão, uma vez que este atuou, em parte, como espada de Yavé. Um dos pecados por detrás 

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