Salmos: 3
1 Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários! Muitos se
levantam contra mim.
2 Muitos são os que dizem de mim: Não
há socorro para ele em Deus.
3 Mas tu, Senhor, és um escudo ao redor de mim, a minha glória, e aquele
que exulta a minha cabeça.
4 Com a minha voz clamo ao Senhor, e ele do seu santo monte me responde.
5 Eu me deito e durmo; acordo, pois o Senhor me sustenta.
6 Não tenho medo dos dez milhares de pessoas que se puseram contra mim
ao meu redor.
7 Levanta-te, Senhor! salva-me, Deus meu! pois tu feres no queixo todos
os meus inimigos; quebras os dentes aos ímpios.
8 A salvação vem do Senhor; sobre o teu
povo seja a tua bênção.
Davi foge de Absalão.
O que lhe acontece é fruto de
seu desatino em relação ao que fizera com Urias e sua omissão em relação
a Amnon e Tamar.
Mas ele sabia que havia sido
perdoado por Deus, apesar das consequências inerentes de qualquer mau uso da
liberdade.
E seus inimigos não se deram
conta de que é Deus quem imputa e quem perdoa pecados.
Todo filho de Deus, apenas a
Deus, presta contas quanto ao seu desvio no espírito, embora a muitos tenha de
prestar contas por seus desvios de conduta.
O inimigo, Absalão, não
percebe que ser corrigido por Deus não é o mesmo que ser abandonado por Deus,
daí o equívoco de pensar que, sob correção divina, o sujeito está sem a
proteção divina.
Mas Davi sabe da fidelidade de
Deus às suas promessas para com os que o temem.
E arrepender-se é temer a
Deus.
Por isso, mesmo sabendo de sua
culpa, Davi clama a Deus por proteção, pois, sabe que Deus nos vê, quando
arrependidos, a partir do perdão que estende e não a partir do pecado por que
perdoa.
O arrependimento reabre a
porta da oração, reabre o caminho ao santo dos santos, reabre o diálogo com
Deus.
Davi descansa porque sabe que
as ameaças, e a força do seu inimigo não são suficientes para alcançá-lo. Que
seja o que for que tiver de lhe acontecer será de administração divina, e não
da fúria do adversário.
A vida dos de Deus, só Deus
administra, e, tantas vezes quantas necessárias for, Deus invadirá a história
para fazer com que tudo redunde para o bem dos que o amam, dos que são chamados
segundo o seu propósito.
Quanto aos inimigos que,
ensoberbecidos, confundem justiça com vingança, Deus mesmo cuidará.
Davi sabe que pertence ao
povo, à Igreja de Deus, e Deus salva e abençoa a sua Igreja.
A vida abundante aparece:
Feliz é o que sabe que Deus
não fala pelos adversários, logo não confunde a voz dos adversários com a voz
de Deus.
Feliz o consciente de que Deus
o vê a partir do perdão que lhe outorgou e não do pecado que o fez carente de
perdão.
Feliz o que sabe que o perdão
de Deus retira todos os obstáculos que a desobediência havia erguido, de modo
que toda a separação desaparece.
Feliz quem crê nessa
fidelidade de Deus, pois, só quem assim crê, dorme apesar do cerco que se
aparenta intransponível e do avanço adversário que parece irrecorrível.
Feliz é o que sabe que a vida
dos de Deus só está à deriva de Deus e de ninguém ou nada mais.
Feliz o que entrega os
adversários aos cuidados do Senhor.
Feliz é o que vive a
partir da convicção de que Deus é o Salvador de seu povo.
Considerações:
Não importa quao terríveis sejam as circuntâncias que nos cercam, elas
não falam por Deus.
Deus perdoa o pecador e esquece o pecado.
O perdoado, também, deve esquecer, sem perder o aprendido, porque há no
passado o que só serve para gerar estátuas de sal.
Feita a oração de arrependimento, todas as demais orações estarão
liberadas.
O amor de Deus e o amor a Deus lançam fora qualquer medo do que quer que
seja.
•
Salmo 4 (NTLH)
1 Salmo de Davi. Ao regente do coro para instrumentos
de cordas. Ó Deus, defensor dos meus direitos, responde-me quando eu te chamar!
Eu estava em dificuldade, mas tu me ajudaste. Tem misericórdia de mim e ouve a
minha oração!
2 Homens poderosos, até quando vocês vão me insultar?
Até quando amarão o que não tem valor e andarão atrás de falsidades?
3 Lembrem que o SENHOR Deus trata com cuidado
especial aqueles que são fiéis a ele (distingue para si o piedoso - RA); o
SENHOR me ouve quando eu o chamo.
4 Tremam de medo e parem de pecar. Sozinhos e quietos
nos seus quartos, examinem a sua própria consciência.
5 Ofereçam sacrifícios como o SENHOR exige e ponham a
sua confiança nele.
6 Há muitas pessoas que oram assim: Dá-nos mais
bênçãos, ó SENHOR Deus, e olha para nós com bondade!
7 Mas a felicidade que pões no meu coração é muito
maior do que a daqueles que têm comida com fartura.
8 Quando (tão logo[1]) me deito, durmo em paz, pois só tu, ó
SENHOR, me fazes viver em segurança (sem medo[2]).
Davi foge
de Saul
Saul se
recusa a reconhecer a escolha de Deus.
A escolha
de Deus faz de Davi um sujeito de direito. O Trono lhe pertence por outorga
divina, que é o princípio básico para todo o direito.
(Por
exemplo: todos os seres humanos são iguais por ação divina, que se apresenta
como Pai de todos. Se Deus está pronto para se ver como Pai de todos, logo,
todos são iguais.)
Davi ora
para que Deus sustente o que, por decisão divina, passou a ser o seu
direito.
Homens,
que se veem poderosos, desprezam o direito por causa de seu amor ao poder
O amor ao
poder tira de qualquer um o direito de exercer o poder, o exercício do poder só
pode ser serviço aos demais.
Deus
escolheu alguém piedoso (fruto de construção graciosa de Deus – Ef 2.10):
voltado para o próximo, para o serviço ao outro no reconhecimento do outro como
sujeito de direito.
Deus ouve
o que se dispõe ao serviço do outro, para a glória de Deus.
Só pode
exercer o poder quem vê o exercício do poder como prestação de serviço, para
que o outro tenha acesso aos seus direitos.
Todo
aquele que usurpa o exercício do poder, tornando-o exercício para benefício
próprio, deveria tremer de medo diante de Deus, porque Deus é o defensor dos
direitos.
Há graça
suficiente para que o usurpador se conscientize e se arrependa, abandonando o
posto em favor da escolha divina.
O
perseguido por causa da justiça sabe da alegria de participar do caminho do
Senhor, e é feliz! (Mt 5.16,17)
O
perseguido por causa da justiça dorme sem medo, sabe que está onde Deus quer
que esteja, não importa o que lhe aconteça.
A vida
abundante - o que é ser feliz a partir desse salmo:
Feliz o
que sabe que Deus é guardião do direito.
Feliz o
que, na busca de seus direitos, ora, reconhecendo em Deus a fonte do direito e
a força para reinvidicá-lo.
Feliz o
que sabe que o amor ao poder é usurpação.
Feliz
aquele em que Deus pode construir um coração voltado ao serviço ao próximo.
Feliz o
que sabe que Deus ouve a oração que privilegia o direito e nele se estriba,
sabendo que o direito é a vontade de Deus.
Feliz o
que tem medo de Deus e vigia o seu coração para não amar o poder.
Feliz o
que sabe que ser perseguido por causa da justiça é privilégio e exulta.
Feliz o
que abre mão do conforto pelo direito.
Feliz o
que, numa luta pelo direito, dorme sem medo, por estar no lado certo, o do
direito.
Considerações:
Deus zela
pelo direito.
Deus está
atento ao clamor pelo direito.
Deus só
entende o exercício de poder entre as suas criaturas, como prestação de serviço
ao outro.
Deus
estabeleceu um mundo sustentado no direito.
Deus não
tomará por inocente o amor ao poder e a consequente usurpação ao direito.
Tomar
partido do direito é tomar partido da vontade de Deus.
Lutar
pelo direito é causa que vale em si, porque o direito é estabelecido por Deus.
Quem está
ao lado do direito não precisa ter medo de Deus, pode dormir em paz.


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