domingo, 17 de agosto de 2014

GENTE FELIZ - TERCEIRA PARTE

Salmos: 3

1 Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários! Muitos se levantam contra mim.
2 Muitos são os que dizem de mim: Não há socorro para ele em Deus.
3 Mas tu, Senhor, és um escudo ao redor de mim, a minha glória, e aquele que exulta a minha cabeça.
4 Com a minha voz clamo ao Senhor, e ele do seu santo monte me responde.
5 Eu me deito e durmo; acordo, pois o Senhor me sustenta.
6 Não tenho medo dos dez milhares de pessoas que se puseram contra mim ao meu redor.
7 Levanta-te, Senhor! salva-me, Deus meu! pois tu feres no queixo todos os meus inimigos; quebras os dentes aos ímpios.
8 A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção.


Davi foge de Absalão.

O que lhe acontece é fruto de seu desatino em relação ao que fizera com Urias e  sua omissão em relação a Amnon e Tamar.

Mas ele sabia que havia sido perdoado por Deus, apesar das consequências inerentes de qualquer mau uso da liberdade.

E seus inimigos não se deram conta de que é Deus quem imputa e quem perdoa pecados.

Todo filho de Deus, apenas a Deus, presta contas quanto ao seu desvio no espírito, embora a muitos tenha de prestar contas por seus desvios de conduta.

O inimigo, Absalão, não percebe que ser corrigido por Deus não é o mesmo que ser abandonado por Deus, daí o equívoco de pensar que, sob correção divina, o sujeito está sem a proteção divina.

Mas Davi sabe da fidelidade de Deus às suas promessas para com os que o temem.

E arrepender-se é temer a Deus.

Por isso, mesmo sabendo de sua culpa, Davi clama a Deus por proteção, pois, sabe que Deus nos vê, quando arrependidos, a partir do perdão que estende e não a partir do pecado por que perdoa.

O arrependimento reabre a porta da oração, reabre o caminho ao santo dos santos, reabre o diálogo com Deus.

Davi descansa porque sabe que as ameaças, e a força do seu inimigo não são suficientes para alcançá-lo. Que seja o que for que tiver de lhe acontecer será de administração divina, e não da fúria do adversário.

A vida dos de Deus, só Deus administra, e, tantas vezes quantas necessárias for, Deus invadirá a história para fazer com que tudo redunde para o bem dos que o amam, dos que são chamados segundo o seu propósito.

Quanto aos inimigos que, ensoberbecidos, confundem justiça com vingança, Deus mesmo cuidará.

Davi sabe que pertence ao povo, à Igreja de Deus, e Deus salva e abençoa a sua Igreja.


A vida abundante aparece:

Feliz é o que sabe que Deus não fala pelos adversários, logo não confunde a voz dos adversários com a voz de Deus.

Feliz o consciente de que Deus o vê a partir do perdão que lhe outorgou e não do pecado que o fez carente de perdão.

Feliz o que sabe que o perdão de Deus retira todos os obstáculos que a desobediência havia erguido, de modo que toda a separação desaparece.

Feliz quem crê nessa fidelidade de Deus, pois, só quem assim crê, dorme apesar do cerco que se aparenta intransponível e do avanço adversário que parece irrecorrível.

Feliz é o que sabe que a vida dos de Deus só está à deriva de Deus e de ninguém ou nada mais.

Feliz o que entrega os adversários aos cuidados do Senhor.

Feliz é o que vive a partir da convicção de que Deus é o Salvador de seu povo.


Considerações:

Não importa quao terríveis sejam as circuntâncias que nos cercam, elas não falam por Deus.
Deus perdoa o pecador e esquece o pecado.
O perdoado, também, deve esquecer, sem perder o aprendido, porque há no passado o que só serve para gerar estátuas de sal.
Feita a oração de arrependimento, todas as demais orações estarão liberadas.
O amor de Deus e o amor a Deus lançam fora qualquer medo do que quer que seja.




  Salmo 4 (NTLH)

    Salmo de Davi. Ao regente do coro para instrumentos de cordas. Ó Deus, defensor dos meus direitos, responde-me quando eu te chamar! Eu estava em dificuldade, mas tu me ajudaste. Tem misericórdia de mim e ouve a minha oração!
    2 Homens poderosos, até quando vocês vão me insultar? Até quando amarão o que não tem valor e andarão atrás de falsidades?
    3 Lembrem que o SENHOR Deus trata com cuidado especial aqueles que são fiéis a ele (distingue para si o piedoso - RA); o SENHOR me ouve quando eu o chamo.
    4 Tremam de medo e parem de pecar. Sozinhos e quietos nos seus quartos, examinem a sua própria consciência.
    5 Ofereçam sacrifícios como o SENHOR exige e ponham a sua confiança nele.
    6 Há muitas pessoas que oram assim: Dá-nos mais bênçãos, ó SENHOR Deus, e olha para nós com bondade!
    7 Mas a felicidade que pões no meu coração é muito maior do que a daqueles que têm comida com fartura.
    8 Quando (tão logo[1]) me deito, durmo em paz, pois só tu, ó SENHOR, me fazes viver em segurança (sem medo[2]).


Davi foge de Saul

Saul se recusa a reconhecer a escolha de Deus.

A escolha de Deus faz de Davi um sujeito de direito. O Trono lhe pertence por outorga divina, que é o princípio básico para todo o direito.

(Por exemplo: todos os seres humanos são iguais por ação divina, que se apresenta como Pai de todos. Se Deus está pronto para se ver como Pai de todos, logo, todos são iguais.)

Davi ora para que Deus sustente o que, por decisão divina,  passou a ser o seu direito.

Homens, que se veem poderosos, desprezam o direito por causa de seu amor ao poder

O amor ao poder tira de qualquer um o direito de exercer o poder, o exercício do poder só pode ser serviço aos demais.

Deus escolheu alguém piedoso (fruto de construção graciosa de Deus – Ef 2.10): voltado para o próximo, para o serviço ao outro no reconhecimento do outro como sujeito de direito.

Deus ouve o que se dispõe ao serviço do outro, para a glória de Deus.

Só pode exercer o poder quem vê o exercício do poder como prestação de serviço, para que o outro tenha acesso aos seus direitos.

Todo aquele que usurpa o exercício do poder, tornando-o exercício para benefício próprio, deveria tremer de medo diante de Deus, porque Deus é o defensor dos direitos.

Há graça suficiente para que o usurpador se conscientize e se arrependa, abandonando o posto em favor da escolha divina.

O perseguido por causa da justiça sabe da alegria de participar do caminho do Senhor, e é feliz! (Mt 5.16,17)

O perseguido por causa da justiça dorme sem medo, sabe que está onde Deus quer que esteja, não importa o que lhe aconteça.


A vida abundante - o que é ser feliz a partir desse salmo:


Feliz o que sabe que Deus é guardião do direito.

Feliz o que, na busca de seus direitos, ora, reconhecendo em Deus a fonte do direito e a força para reinvidicá-lo.

Feliz o que sabe que o amor ao poder é usurpação.

Feliz aquele em que Deus pode construir um coração voltado ao serviço ao próximo.

Feliz o que sabe que Deus ouve a oração que privilegia o direito e nele se estriba, sabendo que o direito é a vontade de Deus.

Feliz o que tem medo de Deus e vigia o seu coração para não amar o poder.

Feliz o que sabe que ser perseguido por causa da justiça é privilégio e exulta.

Feliz o que abre mão do conforto pelo direito.

Feliz o que, numa luta pelo direito, dorme sem medo, por estar no lado certo, o do direito.


Considerações:

Deus zela pelo direito.
Deus está atento ao clamor pelo direito.
Deus só entende o exercício de poder entre as suas criaturas, como prestação de serviço ao outro.
Deus estabeleceu um mundo sustentado no direito.
Deus não tomará por inocente o amor ao poder e a consequente usurpação ao direito.
Tomar partido do direito é tomar partido da vontade de Deus.
Lutar pelo direito é causa que vale em si, porque o direito é estabelecido por Deus.

Quem está ao lado do direito não precisa ter medo de Deus, pode dormir em paz.



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